
Filme novo em
cartaz, mas com muitas mensagens, algumas claras e outras ocultas, além de ser
uma película com lindíssima fotografia 3D, que não consigo tirar de minha
memória algumas cenas belas, recomendo a obra do escritor canadense Yan Martel, tanto em
livro que é de 2001, como o filme novinho em folha que tive a oportunidade ver
tem poucos dias.
É a ficção
sobre um naufrago adolescente que fica em um barco com 4 animais do zoológico
do pai, depois da perda de toda a família no afundamento de um navio que estava
indo da Índia para os EUA, durante uma tempestade em alto-mar.
A fotografia é
de tirar o fôlego, pois o filme é todo em 3D e a maior parte se passa com o
rapaz e um tigre que desenvolvem seus próprios processos de sobrevivência, um
na companhia do outro, enfrentando suas limitações individuais e por isso
criando maneiras de estabelecer um melhor convívio entre um animal selvagem e
um ser humano.
Foram 4
animais como eu disse que no início foram para o bote salva-vidas: um gorila sem seu companheiro,
um zebra ferida, uma hiena faminta e raivosa e um tigre com sua natureza feroz.
Uma das
mensagens que ficaram bem claras para mim foi sobre o enfrentamento. Não é
possível viver sem o enfrentamento de si mesmo. Não tem como entender o outro
se não procurar se perceber livremente e isso só é possível quando deixamos
todas nossas facetas livres para se mostrarem quando assim forem necessárias.
Umas das
facetas produtivas e necessárias do nosso lado feroz é quando dizemos não de
forma posicionada, sem medo do que os outros vão pensar ou vão nos abandonar
por essa negação tão natural como forma de indicar que não queremos algo. Outro
lado é a determinação que muitas vezes abandonamos por motivos de falta de foco
na vida.
Tomar posse
dessas facetas é a única saída para a liberdade total de si mesmo como primeiro
passo, pois como vamos conhecer e usar nosso potencial pleno se temos partes de
nós enjauladas?
Claro que dar
liberdade para essas partes muitas vezes rejeitadas de nós mesmos não significa
que estaremos deixando que elas sejam a nossa voz todo o tempo e sim poderemos
ter a chance de escolhas mais efetivas para nossa etapa vivencial.
Para mim a
zebra ferida representou tudo o que o adolescente teve que deixar para traz
para viver uma nova vida incerta, como o amor de uma moça e sua família que
morreu afogada.
O tempo que
ele passou preso no barco sem remos foi somente o tempo requerido para ele
aceitar tudo seu potencial e se abrir para mais possibilidades na vida, como
viver o tempo presente, seu único ponto de poder.
Teve um
momento muito marcante quando o protagonista chega em um local muito fértil
cheio de lêmures e águas límpidas onde pode se abastecer, mas também descobriu
que a noite havia uma água ácida que tomava conta do local matando toda a
espécie de peixe que passava por ai.
Decidiu novamente
tomar rumo se abastecendo do que podia para seguir para o inesperado, menos
morrer ali naquele lugar que parecia um porto seguro muito maravilhoso de dia,
mas arriscado a noite.
É um filme que
recomendo, pois acredito que cada um vai tirar sua moral da história por si e
se quiserem ler uma boa resenha do filme acessem esse site abaixo.
Rico dia para
você!